RESENHA
CRITICA
POR:
DÉBORA WINDISSOR
A
crônica, “Joãozinho da Maré”, de Rodolpho Caniato, professor, doutor em Física
pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1973) e
profissional da área de formação de professores de ciências, escreve um texto
no tanto, instigador sobre uma realidade não tão distante do nosso dia-a-dia
social no âmbito escolar. A crônica inicia contanto particularidades do
cotidiano de um garoto que mora no Estado do Rio de Janeiro em uma casa de
Palafita (Construções sobre estacas de madeiras), provavelmente favelas que
quando chove, com as enxurradas, alega as casas. Logo, esse garoto denominado
de Joãozinho aparenta ter uma experiência, no tanto, bem vasta com os fenômenos
naturas que ocorrem em seu espaço físico, mas, porém os desconhecem de maneira
sistematizada do porque de suas existências.
Segundo
o autor Joãozinho quando frequenta a escola, vai apenas com um incentivo: comer
a merenda que lhe é oferecida lá; ao ser apresentado esse ponto de motivação do
garoto em frequentar a escola- acredito, o autor deste momento, nos convida a uma reflexão: do porque esse garoto só tem
esse atrativo para frequentar a escola? Que tipo de escola é essa? Quem
trabalha nessa escola? Quais são as metodologias usadas pelo professor, para
criar nas crianças prazer em frequentar constantemente a escola?
Prosseguindo,
ao longo da crônica, vamos encontrando respostas para todas essas perguntas que
se encontra no texto de maneira implícita. Joãozinho frequenta muito pouco a
escola; e nesses momentos vagos ele passeia por toda a cidade como um pesquisador
observador dos fenômenos naturas, deixando transparecer, como todo garoto de
sua idade, a sua curiosidade pelo novo.
Entretanto,
o episódio escolar narrado na crônica que se dar dentro de uma sala de aula (a professora diz que nesse dia iria falar sobre
coisas como o SOL, a TERRA, e seu MOVIMENTO), transparece através da
determinação de conteúdo a ser exposto para aquele determinado dia uma escola
com bases fincadas em um ensino tradicionalista e engessador do desenvolvimento
do sujeito (por não realizar em todas as aulas uma recapitulação e não existir
uma transdisciplinaridade entre os conteúdos apresentados). Não podemos
esquecer que o Joãozinho pensado pelo autor, é um garoto que frequenta muito
pouco a escola, com isso, subtende que perca muita aula e também perca a
continuidade do conteúdo exposto diariamente.
A
professora, em sua fala: “_É Joãozinho,
vamos mudar de assunto. Você já esta atrapalhando a aula e eu tenho um programa
a cumprir” (postura adotada pela professora em sala de aula). Essa fala da
professora, nos mostra claramente a falta de artifícios e argumentos por parte dela, para lidar com
essa situação, no tanto fora do comum em sua sala de aula; ela não se deparava simplesmente
com uma criança que tinha como base de conhecimento apenas o que lhe era
fornecida em gotas diariamente na escola; ela enfrentara naquele momento algo a
mais - a experimentação e observação dos fenômenos por uma ótica de uma criança
que buscava internamente conceituar sua vivencia. Aquela experiência da
professora com aquela criança não partia mais do conceito do que era o SOL, A
TERRA E O MOVIMENTO, para a percepção desses fenômenos na natureza, mais agora, partia da percepção dos
fenômenos para a conceitualização do que eram eles e de como eles se
davam.
Ainda
falando sobre a professora: “A noite mais
calma, a professora pensa com os seus botões: _ os argumentos de João foram tão
claros e ingênuos!”. Podemos também refletir,
como essa professora fez ao final do dia nossa prática docente em sala de aula com
os nossos alunos. Quantos Joãozinhos nós nos deparamos em nossa sala de aula?
Quantos nós silenciamos com nossas metodologias de ensino tradicionalista?
Quantos nós expulsamos de nossas salas, por interpretar como mau comportamento
o questionar? Quantos nós matamos diariamente seu interesse em ir à escola, por
não respondermos suas perguntas que requer mediates, para nos pautar a um
programa que nos impossibilita flexibilidade e transdisciplinaridade entre os
conteúdos?
Com
tudo, finalizo minha resenha, convidando a você leitor, a ler a crônica do
professor e doutor Rodolfo Caniato, com um olhar crítica ao Ensino Escolar Brasileiro, e vós convido
ainda, a participarem na efervescência dessas manifestações que vem ocorrendo por todo
nosso Brasil, a levantar uma bandeira de lutar, por uma educação de qualidade;
a não permitir mais em tempos de desenvolvimento econômico crescente de nosso
país, uma educação excludente desses inúmeros Joãozinhos existentes, e por fim,
lutarmos para que o ensino seja o mais próximo a realidade vivenciada por
nossos alunos, para que eles possam aprender de maneira autônoma a conceituar
os fenômenos observáveis que permeia o seu dia-a-dia de cada um.