quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Joãozinho da Maré"

RESENHA CRITICA
POR: DÉBORA WINDISSOR  

A crônica, “Joãozinho da Maré”, de Rodolpho Caniato, professor, doutor em Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1973) e profissional da área de formação de professores de ciências, escreve um texto no tanto, instigador sobre uma realidade não tão distante do nosso dia-a-dia social no âmbito escolar. A crônica inicia contanto particularidades do cotidiano de um garoto que mora no Estado do Rio de Janeiro em uma casa de Palafita (Construções sobre estacas de madeiras), provavelmente favelas que quando chove, com as enxurradas, alega as casas. Logo, esse garoto denominado de Joãozinho aparenta ter uma experiência, no tanto, bem vasta com os fenômenos naturas que ocorrem em seu espaço físico, mas, porém os desconhecem de maneira sistematizada do porque de suas existências.
Segundo o autor Joãozinho quando frequenta a escola, vai apenas com um incentivo: comer a merenda que lhe é oferecida lá; ao ser apresentado esse ponto de motivação do garoto em frequentar a escola- acredito, o autor deste momento,   nos convida   a uma reflexão: do porque esse garoto só tem esse atrativo para frequentar a escola? Que tipo de escola é essa? Quem trabalha nessa escola? Quais são as metodologias usadas pelo professor, para criar nas crianças prazer em frequentar constantemente a escola?
Prosseguindo, ao longo da crônica, vamos encontrando respostas para todas essas perguntas que se encontra no texto de maneira implícita. Joãozinho frequenta muito pouco a escola; e nesses momentos vagos ele passeia por toda a cidade como um pesquisador observador dos fenômenos naturas, deixando transparecer, como todo garoto de sua idade, a sua curiosidade pelo novo.
Entretanto, o episódio escolar narrado na crônica que se dar dentro de uma sala de aula (a professora diz que nesse dia iria falar sobre coisas como o SOL, a TERRA, e seu MOVIMENTO), transparece através da determinação de conteúdo a ser exposto para aquele determinado dia uma escola com bases fincadas em um ensino tradicionalista e engessador do desenvolvimento do sujeito (por não realizar em todas as aulas uma recapitulação e não existir uma transdisciplinaridade entre os conteúdos apresentados). Não podemos esquecer que o Joãozinho pensado pelo autor, é um garoto que frequenta muito pouco a escola, com isso, subtende que perca muita aula e também perca a continuidade do conteúdo exposto diariamente.
A professora, em sua fala: “_É Joãozinho, vamos mudar de assunto. Você já esta atrapalhando a aula e eu tenho um programa a cumprir” (postura adotada pela professora em sala de aula). Essa fala da professora, nos mostra claramente a falta de artifícios  e argumentos por parte dela, para lidar com essa situação, no tanto fora do comum em sua sala de aula; ela não se deparava simplesmente com uma criança que tinha como base de conhecimento apenas o que lhe era fornecida em gotas diariamente na escola; ela enfrentara naquele momento algo a mais - a experimentação e observação dos fenômenos por uma ótica de uma criança que buscava internamente conceituar sua vivencia. Aquela experiência da professora com aquela criança não partia mais do conceito do que era o SOL, A TERRA E O MOVIMENTO, para a percepção desses fenômenos na natureza, mais agora, partia da percepção dos fenômenos para a conceitualização do que eram eles e de como eles se davam.  
Ainda falando sobre a professora: “A noite mais calma, a professora pensa com os seus botões: _ os argumentos de João foram tão claros  e ingênuos!”. Podemos também refletir, como essa professora fez ao final do dia nossa prática docente em sala de aula com os nossos alunos. Quantos Joãozinhos nós nos deparamos em nossa sala de aula? Quantos nós silenciamos com nossas metodologias de ensino tradicionalista? Quantos nós expulsamos de nossas salas, por interpretar como mau comportamento o questionar? Quantos nós matamos diariamente seu interesse em ir à escola, por não respondermos suas perguntas que requer mediates, para nos pautar a um programa que nos impossibilita flexibilidade e transdisciplinaridade entre os conteúdos?
Com tudo, finalizo minha resenha, convidando a você leitor, a ler a crônica do professor e doutor Rodolfo Caniato, com um olhar crítica ao Ensino Escolar Brasileiro, e vós convido ainda, a participarem na efervescência dessas manifestações que vem ocorrendo por todo nosso Brasil, a levantar uma bandeira de lutar, por uma educação de qualidade; a não permitir mais em tempos de desenvolvimento econômico crescente de nosso país, uma educação excludente desses inúmeros Joãozinhos existentes, e por fim, lutarmos para que o ensino seja o mais próximo a realidade vivenciada por nossos alunos, para que eles possam aprender de maneira autônoma a conceituar os fenômenos observáveis que permeia o seu dia-a-dia de cada um. 




Nenhum comentário:

Postar um comentário

free counters

Sabio é aquele que compartilha sua sabedoria